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E agora, José?

Posted in Chuvas por Rádio Z FM em sexta-feira, 13 maio, 2011
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Era uma estação normal como outra qualquer. O sol nascia pelas manhãs, as pessoas saíam de suas casas para trabalhar, as crianças brincavam nas ruas, mas o decorrer da época mais desejada pela maioria das pessoas reservava uma triste surpresa. Era verão, e a estação que começou linda terminou de forma trágica. Mais uma vez as fortes chuvas castigaram Mauá e seis pessoas morreram durante esse período, todas elas vítimas das enchentes e desmoronamentos.

Inconformado com as tragédias que acontecem quase todo ano em Mauá, resolvi fazer um texto criticando a cobertura realizada pelos grandes veículos de comunicação em relação as enchentes na cidade, especificamente no Jardim Zaíra e com grande enfoque na conhecida área do Chafic, que é uma grande ocupação e que tem legalmente como proprietários a família Sadeck. Resolvi então chamar a atenção das autoridades do município para o problema das fortes chuvas que todo ano atingem o bairro. No mesmo editorial, também responsabilizei a família Sadeck como motivadora das invasões naquela área.

Além de convidar a comunidade mauaense para debater o problema junto ao poder público, independentemente de ideologia política, o editorial trouxe uma reflexão do texto de Carlos Drummond de Andrade “José”, da obra “A rosa do povo”, que foi musicado por Paulo Diniz em 1973 com o título “E agora José?”. O editorial, veiculado na programação da Rádio Z FM e publicado no portal da emissora, no dia 25 de janeiro, teve uma grande repercussão por toda Mauá. De imediato, um representante da família Sadeck pediu direito de resposta, que foi concedido pela direção da rádio. Para Marco Antônio José Sadeck, o texto trazia algumas inverdades acerca da família Sadeck e afirmou ainda que, em nenhum momento, qualquer familiar incentivou ou permitiu a invasão.

O editorial ganhou força entre a população mauaense e acabou virando um quadro na programação da emissora, chamado de “E agora, José?”. A deputada estadual Vanessa Damo (PMDB-SP) foi uma das primeiras a participar do programa e expressou seu descontentamento com a Prefeitura de Mauá e a Defesa Civil em relação ao tratamento dado às famílias atingidas pelas chuvas na área do Chafic. Vanessa ressaltou ainda que tem de haver um mapeamento urgente das áreas de risco e das áreas ocupadas irregularmente, que colocam em risco a vida das pessoas, mas para isso acontecer é necessário ter um espírito democrático.

Já o deputado estadual Doniste Braga (PT-SP) destacou que a questão habitacional no país, no Estado de São Paulo e na região do ABC é muito grave. “É fundamental que o governo municipal, o governo do Estado e o governo federal possam estabelecer ações e iniciativas conjuntas para que nós possamos buscar recursos e investir na questão da habitação”, afirmou Braga.

O vereador Manoel Lopes (DEM) foi outro político que respondeu às perguntas do “E agora, José?” e propôs a construção de um diálogo entre a Prefeitura de Mauá, o dono da área e o Ministério Público para uma intervenção municipal no Chafic. Esse mesmo pacto suprapartidário e que envolve todas as esferas políticas também é defendido pela emissora.

Outras autoridades do município que participaram do quadro “E agora, José?” foram os vereadores Marcelo Oliveira (PT) e Edgard Grecco Filho (PDT), o ex-prefeito Diniz Lopes, o vice-prefeito de Mauá e secretário de Saúde, Paulo Eugenio, além da primeira-dama de Mauá, Celma Dias. Moradores também participaram do debate, como a líder comunitária no Jardim Zaíra 6, Bel Maravilhosa, e o membro da Igreja Mundial Valmir de Carlos Castro.

A Rádio Z visita a área constantemente, ouvindo moradores e lideranças, tendo inclusive participado da articulação para o debate que envolve a regularização do local. Esse trabalho ganhou relevância através da divulgação da audiência pública e de entrevistas sobre esse evento, organizado por entidades da localidade em conjunto com a ADEHAB (Associação para o Desenvolvimento Habitacional do Brasil). A audiência ocorreu em 12 de dezembro do ano passado e reuniu 800 moradores da área, além de autoridades municipal, estadual e nacional. Acredito também que a rádio faz seu papel transformando-se em um observatório social, dando visibilidade para que a questão não caia no esquecimento.

As fortes chuvas, a ocupação desordenada e as mortes por deslizamento de terra colocaram a cidade de Mauá na mídia nos últimos meses. Todos os envolvidos nesses fatos (prefeito, autoridades e a própria população) se veem pressionados a encontrar uma solução para o problema.

Após diversas participações nesse debate pela rádio, soubemos que o advogado da família Sadeck foi convidado pelo prefeito Oswaldo Dias para um acordo que teria como uma possibilidade a aquisição da área pela prefeitura, o que resolveria um grande problema, que é o de permitir a ação da prefeitura no local, hoje proibida pelo fato da área ser particular.

O “E agora, José?” pretende continuar de olho em tudo que está acontecendo em Mauá em relação as chuvas, principalmente no Jardim Zaíra (área do Chafic), para também impedir que pessoas tirem proveito das tragédias que aconteceram no bairro, em respeito àqueles que perderam a vida.

Você é nosso convidado para esse debate.

Valmir Maia
Presidente da Rádio Z FM
Veja todas as matérias do “E AGORA, JOSÉ?” em nosso site www.radiozfm.org e mande sua opinião.

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