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Rodoanel, ainda sem acessos concretizados, traz mudanças para Mauá

Posted in Cidade por Rádio Z FM em sexta-feira, 12 ago, 2011
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por Thiago Lima

Quatro anos após o início das obras, o Rodoanel foi entregue no dia 1º de abril de 2010.

Porém, o trecho sul, que interliga Mauá com as mais importantes rodovias que cruzam o Estado de São Paulo, ainda não havia sido finalizado na região que corta o município. Estão inacabados alguns detalhes chamados “acessos”, que fazem a pista do Rodoanel chegar e sair da cidade.

Os acessos são extensos e envolvem complicações, que dizem respeito a desapropriações em alguns pontos de Mauá, como no Jardim Oratório (que teve mais de 2.300 famílias removidas); investimentos em trevos, viadutos e alargamento de pistas (que chegam a R$ 82 milhões); sincronização do tempo dos semáforos nos cruzamentos; aumento no número de faixas de circulação de carros em avenidas que comportam a mudança e mapeamento das melhores rotas de fuga da região e vias de cidades vizinhas, para que os motoristas sejam induzidos a usá-las.

Mesmo com os acessos em construção, o Rodoanel já começou a mostrar a sua cara à população mauaense. A avenida Papa João 23 está recebendo novo formato, com algumas alças de entrada e saída da pista principal do Rodoanel.

Já na avenida Alberto Soares Sampaio, no bairro Capuava, ainda faltam mais alguns detalhes para o seu término, como alças de acesso, correção imediata do asfalto e iniciativa para melhora do trânsito naquela região.

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E agora, José?

Posted in Chuvas por Rádio Z FM em sexta-feira, 13 maio, 2011
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Era uma estação normal como outra qualquer. O sol nascia pelas manhãs, as pessoas saíam de suas casas para trabalhar, as crianças brincavam nas ruas, mas o decorrer da época mais desejada pela maioria das pessoas reservava uma triste surpresa. Era verão, e a estação que começou linda terminou de forma trágica. Mais uma vez as fortes chuvas castigaram Mauá e seis pessoas morreram durante esse período, todas elas vítimas das enchentes e desmoronamentos.

Inconformado com as tragédias que acontecem quase todo ano em Mauá, resolvi fazer um texto criticando a cobertura realizada pelos grandes veículos de comunicação em relação as enchentes na cidade, especificamente no Jardim Zaíra e com grande enfoque na conhecida área do Chafic, que é uma grande ocupação e que tem legalmente como proprietários a família Sadeck. Resolvi então chamar a atenção das autoridades do município para o problema das fortes chuvas que todo ano atingem o bairro. No mesmo editorial, também responsabilizei a família Sadeck como motivadora das invasões naquela área.

Além de convidar a comunidade mauaense para debater o problema junto ao poder público, independentemente de ideologia política, o editorial trouxe uma reflexão do texto de Carlos Drummond de Andrade “José”, da obra “A rosa do povo”, que foi musicado por Paulo Diniz em 1973 com o título “E agora José?”. O editorial, veiculado na programação da Rádio Z FM e publicado no portal da emissora, no dia 25 de janeiro, teve uma grande repercussão por toda Mauá. De imediato, um representante da família Sadeck pediu direito de resposta, que foi concedido pela direção da rádio. Para Marco Antônio José Sadeck, o texto trazia algumas inverdades acerca da família Sadeck e afirmou ainda que, em nenhum momento, qualquer familiar incentivou ou permitiu a invasão.

O editorial ganhou força entre a população mauaense e acabou virando um quadro na programação da emissora, chamado de “E agora, José?”. A deputada estadual Vanessa Damo (PMDB-SP) foi uma das primeiras a participar do programa e expressou seu descontentamento com a Prefeitura de Mauá e a Defesa Civil em relação ao tratamento dado às famílias atingidas pelas chuvas na área do Chafic. Vanessa ressaltou ainda que tem de haver um mapeamento urgente das áreas de risco e das áreas ocupadas irregularmente, que colocam em risco a vida das pessoas, mas para isso acontecer é necessário ter um espírito democrático.

Já o deputado estadual Doniste Braga (PT-SP) destacou que a questão habitacional no país, no Estado de São Paulo e na região do ABC é muito grave. “É fundamental que o governo municipal, o governo do Estado e o governo federal possam estabelecer ações e iniciativas conjuntas para que nós possamos buscar recursos e investir na questão da habitação”, afirmou Braga.

O vereador Manoel Lopes (DEM) foi outro político que respondeu às perguntas do “E agora, José?” e propôs a construção de um diálogo entre a Prefeitura de Mauá, o dono da área e o Ministério Público para uma intervenção municipal no Chafic. Esse mesmo pacto suprapartidário e que envolve todas as esferas políticas também é defendido pela emissora.

Outras autoridades do município que participaram do quadro “E agora, José?” foram os vereadores Marcelo Oliveira (PT) e Edgard Grecco Filho (PDT), o ex-prefeito Diniz Lopes, o vice-prefeito de Mauá e secretário de Saúde, Paulo Eugenio, além da primeira-dama de Mauá, Celma Dias. Moradores também participaram do debate, como a líder comunitária no Jardim Zaíra 6, Bel Maravilhosa, e o membro da Igreja Mundial Valmir de Carlos Castro.

A Rádio Z visita a área constantemente, ouvindo moradores e lideranças, tendo inclusive participado da articulação para o debate que envolve a regularização do local. Esse trabalho ganhou relevância através da divulgação da audiência pública e de entrevistas sobre esse evento, organizado por entidades da localidade em conjunto com a ADEHAB (Associação para o Desenvolvimento Habitacional do Brasil). A audiência ocorreu em 12 de dezembro do ano passado e reuniu 800 moradores da área, além de autoridades municipal, estadual e nacional. Acredito também que a rádio faz seu papel transformando-se em um observatório social, dando visibilidade para que a questão não caia no esquecimento.

As fortes chuvas, a ocupação desordenada e as mortes por deslizamento de terra colocaram a cidade de Mauá na mídia nos últimos meses. Todos os envolvidos nesses fatos (prefeito, autoridades e a própria população) se veem pressionados a encontrar uma solução para o problema.

Após diversas participações nesse debate pela rádio, soubemos que o advogado da família Sadeck foi convidado pelo prefeito Oswaldo Dias para um acordo que teria como uma possibilidade a aquisição da área pela prefeitura, o que resolveria um grande problema, que é o de permitir a ação da prefeitura no local, hoje proibida pelo fato da área ser particular.

O “E agora, José?” pretende continuar de olho em tudo que está acontecendo em Mauá em relação as chuvas, principalmente no Jardim Zaíra (área do Chafic), para também impedir que pessoas tirem proveito das tragédias que aconteceram no bairro, em respeito àqueles que perderam a vida.

Você é nosso convidado para esse debate.

Valmir Maia
Presidente da Rádio Z FM
Veja todas as matérias do “E AGORA, JOSÉ?” em nosso site www.radiozfm.org e mande sua opinião.

Rádio Z FM também foi vítima das chuvas… E agora José?

Posted in Chuvas por Rádio Z FM em terça-feira, 25 jan, 2011
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Eram mais ou menos 7 horas da noite de terça-feira, dia 4 de janeiro.

Aqui no estúdio da Z FM ouvi barulhos de helicópteros sobrevoando nosso querido Jardim Zaíra.

Logo percebi que havia algo diferente no ar, pois eles, os helicópteros, só aparecem por aqui quando perseguem algum ladrão, ou então quando acontece alguma tragédia.

É lógico: “caramba”… acordei!

Já estava chovendo há alguns dias e como conheço o Zaíra, principalmente a área do Chafick, desde criança, na hora caiu a ficha: aconteceu alguma tragédia naquele local!

Em seguida o telefone da rádio tocou. Era um amigo, dizendo que o morro desceu e matou duas pessoas: mãe e filho, e que outras duas haviam sido internadas.

Realmente mais uma vez os “urubus midiáticos” (os helicópteros dos grandes veículos de comunicação), sobrevoavam a área do Chafick Sadek (área do Macuco), pois surgia mais uma oportunidade de desgraça para abrilhantarem seus jornais sensacionalistas.

Antes mesmo de ir até o Macuco para verificar o que acontecia, um raio daqueles que balança a casa toda caiu na rádio queimando transmissor e praticamente todos os outros equipamentos. CHOREI de tristeza, pois sabia que a rádio poderia contribuir naquele momento difícil e então me veio à mente o texto de Carlos Drummond de Andrade, da obra “A rosa do povo”, “José”, também musicado por Paulo Diniz em 1973 com o título “E agora José”.

No caso de Mauá, algumas perguntas continuam sem respostas: “E agora prefeito, vereadores e autoridades do município? Até quando a população terá que pagar com vidas e bens materiais o acúmulo de erros históricos? E agora população atingida ou em ‘vias de’?”

Tudo começou no início dos anos 1950. Ao que parece, juntamente com a emancipação do município de Mauá, deu-se início ao loteamento que foi denominado como Jardim Zaíra, com área total de aproximadamente 5,3 milhões de metros quadrados.

Zaíra, na verdade, era o nome de uma integrante da família Chafick Sadek, que era proprietária da área total na época.

De lá para cá, a ocupação só aumentou, principalmente após o fim do chamado “milagre econômico” e da crise do fim do regime militar, agravada com a mundialmente conhecida “crise do petróleo” no início da década de 80: famílias empobrecidas pela crise e sem condições de pagarem alugueis foram expulsas das melhores cidades, tanto do ABC como de cidades da Grande São Paulo. Para cá vieram e encontraram terreno fértil para edificarem seus lares. Construíram suas casas em áreas de risco e descaracterizaram o meio ambiente, principalmente com desmatamento.

A família Chafick ou Sadeck incentivou e permitiu a instalação de moradias em área remanescente de mais de 1,3 milhão de metros quadrados, onde não se permitiria jamais loteamento considerando sua topografia demasiadamente acentuada e considerada por legislação como área especial sem permissão de ser loteada. No fim, lucraram com isso e contribuíram para que essas tragédias continuem acontecendo.

Por outro lado, o interesse político eleitoral e a necessidade provocada também levaram algumas melhorias para a região: escolas, posto de saúde, asfalto para algumas ruas, energia elétrica em quase toda a área e até um pouco de captação de esgoto, porém medidas preventivas são muito tímidas e quase inexistem.

No longo prazo, a resposta vem sendo dada pela natureza que, não se enganem, também ocupa o papel de vítima.

Inundações, mortes, desabamentos e centenas de desabrigados são o saldo deixado pela catástrofe natural nesses últimos dias e também nas últimas décadas.

O que aconteceu naquela terça-feira não preciso dizer, pois todas as grandes emissoras, ou melhor, os “urubus midiáticos”, falaram. Mostraram as tragédias e fizeram chorar os sofredores para que, com isso, angariassem mais alguns pontinhos no Ibope. E agora, grande imprensa, será que contribuíram para a solução do problema? Com certeza não, pois eles foram embora e sobrou para o povo a destruição e os prejuízos e, para o poder público local, a tarefa não feita em tantos anos.

Nesta sexta-feira, dia 21 de janeiro, resolvi caminhar mais uma vez pelo Jardim Zaíra. Até então, os “urubus midiáticos” que se dizem jornalistas desapareceram e a população tenta voltar à rotina, mas entulho e lama continuam presentes em quase todo o bairro, embora população e prefeitura trabalhem dia e noite para removê-los.

Em meio à destruição, os moradores limpam a frente de suas casas e até mesmo a rua onde residem. O que se vê no local é muito estrago, mas a dedicação de  voluntários é essencial para amenizar o sofrimento das pessoas que perderam tudo com as enchentes. Somos um povo solidário, mas o que me assusta é o poder de nos unirmos muito mais nas desgraças do que na organização para preveni-las.

Acredito que boa parte da cidade mauaense teve prejuízos com as fortes chuvas. Os estúdios da Rádio Z FM também foram atingidos. Vários equipamentos foram queimados com as descargas elétricas de raios e más condições da rede da Eletropaulo e da Telefônica, por essa razão não foi possível fazer uma cobertura mais abrangente para os nossos ouvintes, mas nada disso tem importância quando comparamos com o sofrimento daqueles que perderam tudo, inclusive familiares.

 

E AGORA JOSÉ?

 

Acreditamos que a solução seria construirmos um pacto para discussão e solução das áreas consideradas de alta vulnerabilidade em nossa cidade.

Tenham certeza de uma coisa, a Rádio Z FM está de volta e abre seus microfones para nossa comunidade.

Tenham certeza de uma coisa, a Rádio Z FM está de volta e abre seus microfones para nossa comunidade.

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